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O Outro Lado Das Boas Práticas: o lado da fiscalização - Parte 2/2

Atualizado: 18 de mai. de 2023


O Post anterior tratou da definição de Boas Práticas.

Mas e a Prática, como anda?

Bom, não sei como está com você, Profissional da área de alimentos, nas empresas que presta Consultoria/Assessoria e passa as Boas Práticas, através de Treinamentos aos Colaboradores e posterior elaboração do Manual.

Talvez contigo esteja melhor.

Porque as empresas que EU vejo, bom...

O treinamento tem as listas de presença, o Manual + POPs e planilhas estão ali, impecáveis.

MAS, PORÉM, CONTUDO, TODAVIA ENTRETANTO...


Antes de falar dos "MAS"...

Falei do Manual, né. Então, ele está lá oh:

Isso mesmo, na gavetinha.

A maioria gritante das empresas que fiscalizei e fiscalizo, tem uma diferença absurda entre teoria e prática.

Então, vou listar alguns problemas observados, mas jamais para falar dos profissionais que fizeram esse trabalho (e tentam fazer o melhor que podem e penso aqui, a maioria não faz só pelo dinheiro - espero) e nem das empresas, porque muitas nem sabem a importância (e vantagens para seu negócio) do Manual de BP e sua consequente implantação.

Mas precisamos falar sobre isso urgente.

E esse artigo é para você Profissional/Futuro Profissional.


1. Saiba o que está fazendo

Falar que não pode Crtl C + Crtl V é óbvio, né? Mas então, ou é isso que já vi acontecer, ou é não pesquisar certo as definições de etapas de processos.

Ninguém precisa saber de tudo, mas seu dever, como Profissional, é saber onde procurar ou a quem perguntar (fontes seguras).

Onde: Legislação, na grande maioria das vezes, estudos científicos e livros.

Quem: Professores, pessoas que têm mais experiência, fiscais, Consultores de alimentos experientes...

Exemplo: numa empresa, de produtos congelados, no manual constava "envase" dos produtos.

Sabemos o que é envase, né, mas peguei a primeira definição que achei (legislação de água mineral natural/água natural):

2.10 Envase: operação que compreende o enchimento e a vedação com tampa da embalagem com água mineral natural ou com água natural.

E embalar produtos não é o mesmo que envasar, correto?

Poderia dizer "Não sabe, não faz!", mas não, digo faça sim, mas entenda como um trabalho de faculdade que vale nota e não escreva nada que você não tenha conferido algumas - milhares de -vezes, se preciso.

Não é porque, na maioria das vezes, o proprietário nem lê teu Manual (que é a triste realidade, pois aqui, se acostume com isso, falo sobre a realidade real oficial também, não só teorias), que você não vai conferir cada linha do que escreveu.


2. Manual não é o que diz a legislação e sim o que se vê na realidade

Se um Fiscal quisesse saber o que está na Legislação, ele iria pegar ela e ler.

Manual de BP é a realidade da empresa (mesmo que nu@ e crua!)

"Mas se eu escrever que a empresa não tem uma divisão do setor de produção do da embalagem secundária, isso vai estar contra a legislação!"

Exato! Mas aí que tá, sei que vai ter proprietários meio resistentes a mudanças e que alguns querem o Manual apenas para apresentar à Vigilância e nada mais, é aí que entra você, como profissional documentar tudo isso, anexar como um Plano de Ação para a empresa (com prazos e responsáveis pelas adequações) e, se não for RT da empresa, tchau, obrigada! Porque não vale a pena se comprometer com quem não está comprometido. Mas você fez tua parte.

Exemplo: a RDC 275/2002 pede ralos com grelhas:

1.4.3 Sistema de drenagem dimensionado adequadamente, sem acúmulo de resíduos. Drenos, ralos sifonados e grelhas colocados em locais adequados de forma a facilitar o escoamento e proteger contra a entrada de baratas, roedores etc.

E já peguei um manual que estava escrito: "os ralos da empresa são sifonados e possuem grelhas."

O ralo:




Ah, poderia fazer um artigo só disso, de expectativa X realidade kkkk. Mas deixa quieto.


3. Jamais (repita) faça um Manual de BP sem implementar para a empresa

"Meu Deus, mas aí o proprietário não vai querer me pagar minha hora técnica." Bom ,provavelmente, se ele for o do item anterior, não vai querer mesmo. Mas você, como profissional, que só tem controle sobre si, NÃO vai fazer isso. Pelo menos vai repassar tudo o que coletou de informações, observou e documentou ao proprietário (ou algum responsável pela empresa/setor). É o mínimo. E ele que lute sim, mas daí vai ser escolha da pessoa, se quer gastar um dinheirão (porque Manual não é barato) e guardar lá na gavetinha...


PARA MIM, Manual lindo e perfeito, mas produção um $#%$¨#¨ não serve de nada. E vale o contrário: se a prática tá top, mas a empresa não tem Manual, eu não ligo muito. E penso isso a alguns anos já, depois de ver a discrepância entre realidade X manuais floridos e cheirosos.


"Ah, mas a lei pede" Sim, pede, mas também pede milhares de outras coisas e antes de mencionar Manual e POPs.

Cada um pensa o que quiser, obviamente, mas já trabalhei em empresas bem grandes, uma tinha tudo o que imaginar de Garantia de Qualidade, mas, na prática, havia situações que WTF!

Portanto, para mim, coisas (e situações) "só para Inglês ver," não colam.


Enfim, falei alguns pontos que observo no dia a dia de fiscalizações.

Então, algo precisa ser mudado urgente!

Porque fazer um trabalho por fazer, apenas pra receber o honorário, pra mim não faz nenhum sentido. Claro quev ocê não vai conseguir estar lá na empresa todos os dias depois de ter feito o Manual, mas, se fez tua parte, aí tua culpa não é! Mas devemos cortar esse ciclo urgente. Porque a maioria das empresas está sim com NÃO CONFORMIDADES gritantes e 99% delas muito, mas muito básicas (e que estão lá, no Manual como conforme...).

Mas alguém tem que mudar esse quadro e que sejamos nós, Profissionais da área de Alimentos.


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